A Zeno.FM Station Posse Atitude Periférica

PAP diz.

HIP-HOP SEM DROGAS, periferia sem vício, é periferia menos violênta.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

NO BEAT 3º edição

 

Nos dias 25 e 26 de outubro de 2025, Alagoas foi palco da terceira edição do NO BEAT, evento que já se consolidou como um dos principais fomentadores da cultura urbana no estado. Com uma energia contagiante, o festival enferveceu a cena BREAKING.

Mas não foi só o chão que tremeu com os passos dos b-boys e b-girls. Nesta edição, o NO BEAT ampliou seu alcance e fortaleceu as batalhas de rima, oferecendo um espaço exclusivo para os MCs de batalha, uma demonstração poderosa do talento local. Os MCs aproveitaram bem a oportunidade, provando que a rima também pulsa forte em Alagoas.

O NO BEAT segue firme como catalisador da cultura hip-hop no Nordeste, conectando dança, música e poesia em um só ritmo.


No Instituto Flor de Mandacaru, onde foi realizada a batalha de rima no sábado, 25/10, MCs de diversas localidades de Maceió se reuniram para protagonizar um verdadeiro espetáculo de improviso e criatividade.

Com muita rima e criatividade nos versos, os MCs proporcionaram um verdadeiro show de improviso e presença de palco.


DJ Coroa Emerson nos beats da batalha do NO BEAT

MCs campeões em diversas batalhas marcaram presença, trazendo experiência, técnica e respeito à roda. A participação desses nomes já reconhecidos elevou o nível da disputa e inspirou os novos talentos que também estavam na cena.


O MC e artista plástico Gigante, um dos pioneiros do improviso em Alagoas, marcou presença como jurado na batalha. Com sua trajetória respeitada na cena, trouxe olhar técnico e sensível para avaliar cada rima lançada no palco.




Melanina, campeã em diversas batalhas, dessa vez ocupou o lugar de jurada. Com sua bagagem e vivência na cena, trouxe firmeza e sensibilidade na hora de avaliar cada verso lançado.

Todos os participantes deram trabalho uns aos outros, a disputa foi acirrada do início ao fim. Afinal, estava em jogo um prêmio de mil reais para quem levasse o título, e ninguém queria sair sem mostrar serviço.

No final, KIRE levou a melhor após uma disputa acirrada com Tiago Poesia. Mas, reconhecendo a caminhada e a dificuldade de cada um, os MCs participantes haviam combinado que o prêmio originalmente destinado apenas ao primeiro lugar, seria dividido entre os três primeiros colocados. Essa atitude nobre reforça a humildade e a união que marcam as batalhas de rima, onde o respeito fala tão alto quanto o verso. E assim, com o espírito fortalecido, segue o baile rumo à próxima edição.



26/10 domingo O BREAKING

No domingo, foi a vez do breaking dar continuidade ao NO BEAT, desta vez na Escola Évia Valleria, localizada no Village Campestre , um local simbólico para o hip-hop alagoano. A escola já foi palco de um dos eventos mais consagrados da cultura urbana no estado: o Abriu Pró Hip-Hop, organizado pela CIA Hip-Hop na primeira década dos anos 2000. Reunir a nova geração nesse espaço foi como reacender uma chama que nunca se apagou.

Trazendo boas lembranças para os veteranos do breakings alagoano, mais de uma década depois eles voltaram a pisar naquela quadra, agora mais arrumada e coberta, bem diferente dos tempos da CIA Hip-Hop. O reencontro com esse espaço histórico reacendeu memórias de batalhas marcantes e momentos que ajudaram a construir a cena local.
               
O evento contou com a participação de breakers vindos de Alagoas, Paraíba e Pernambuco, fortalecendo ainda mais a conexão entre os estados e mostrando que o NO BEAT já ultrapassa fronteiras na cena do breaking nordestino.

O NO BEAT, assim como na segunda edição, trouxe além da competição de breaking uma batalha de Open Style, espaço onde os dançarinos podem explorar livremente sua criatividade dentro das danças urbanas. Estavam presentes poppers e lookers, especialistas em seus estilos, que mostraram domínio e versatilidade. Alguns b-boys, mesmo com foco principal no breaking, também se arriscaram nas performances, provando que a dança é múltipla e cheia de possibilidades.


Mas a dupla DKZIN e NETO COSTA  se mostraram determinados e nessa terceira edição do NO BEAT na categoria OPEN STYLE eles foram os melhores levando o primeiro e segundo lugar salientando que os 2 são parceiro de passos e formam a crew 049 

Jurados Open Style Ton Robert, Fernada e San  

Batalha 2x2

E a batalha entre categoria 2x2 trazendo show de performaces e habilidades representando o breaking nordestino de auto nivel








Jurados breaking Carolzinha, Mago e Jessé 
Uma garotada cheia de energia e talento já começa a deixar sua marca nas competições. Mesmo jovens, eles encaram de frente os marmanjos mais experientes, mostrando atitude, técnica e confiança. Cada batalha é uma prova de que o futuro do breaking em Alagoas está garantido: os novos b-boys e b-girls não apenas participam, mas competem de igual para igual, conquistando respeito e abrindo caminho para uma cena ainda mais forte.

DJ W-ONE



SUPREMEBOYZCREW campeões 2x2 nessa edião do NO BEAT 2025

Mais um NO BEAT realizado, missão cumprida pelos produtores culturais periféricos que, de forma árdua, dividem a vida pessoal, o trabalho formal e a paixão pela arte. Mesmo sem retorno financeiro, seguem firmes na vontade de ver a cultura crescer, mostrando que o amor à arte não tem preço. Que venha a terceira edição, ainda mais forte e representativa.


Evento realizado por @edjaria_daina e @babusimplicio, com patrocínio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), instituída pela Lei nº 14.399/2022, e apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Maceió (SEMCE).


 






 


















domingo, 8 de fevereiro de 2026

Favela RAP 9º edição 2026

Graffiti Meny Weesy

No dia 01 de fevereiro de 2026, o Parque Linear do Benedito Bentes recebeu o Favela RAP, um evento que reuniu diversas vertentes do hip-hop e outras culturas afroperiféricas em uma celebração da identidade periférica afroalagoana. A comunidade pôde vivenciar apresentações de RAP que deram voz às realidades locais, intervenções de graffiti que coloriram os espaços públicos, DJs que criaram a trilha sonora da festa, oficinas de dança afrobeat que conectaram corpo e ancestralidade, além de shows de reggae que trouxeram boas vibrações e união. O encontro também contou com uma feira de utensílios artesanais e um brechó, fortalecendo a economia criativa e mostrando que a periferia é potência cultural.

Mais do que um festival, o Favela RAP foi uma afirmação de resistência e pertencimento, revelando que mesmo em uma região onde o investimento cultural é escasso, a parte alta de Maceió pulsa arte, diversidade e transformação social.

O rapper Saci fez um show marcante no Favela RAP, transitando com naturalidade entre o RAP e o TRAP, estilos já muito populares entre a nova geração. Sua apresentação trouxe diversão e energia para o público, mas também carregou um tom de denúncia e reivindicação, reforçando em suas letras a necessidade de autovalorização da periferia. Saci mostrou que a música pode ser ao mesmo tempo entretenimento e ferramenta de resistência, traduzindo em versos a força e a identidade da comunidade afroperiférica alagoana. 


O Favela RAP também abriu espaço para os veteranos do RAP alagoano, mostrando que a cena local é feita tanto pela nova geração quanto por aqueles que pavimentaram o caminho da cultura periférica. Entre eles esteve Mago Aplique, figura respeitada e referência na música rap em Alagoas, que trouxe ao palco sua experiência e força lírica. Sua presença reafirmou a importância da memória e da continuidade, conectando passado e presente em um mesmo movimento cultural.





A oficina de dança Afrobeat conduzida por Vini Santos foi um dos grandes momentos do Favela RAP. A energia corporal tomou conta do espaço e homens e mulheres se entregaram ao ritmo, deixando-se levar pela magia do afrobeat. O encontro transformou o Parque Linear em um palco de movimento e ancestralidade, onde cada passo reafirmava a força da cultura afroperiférica e a capacidade da arte de unir e libertar

DJ OBAMA



DJ LZU

DJ KILLI ROOTS

DJ WALISTON

Os DJs também tiveram papel fundamental no Favela RAP, trazendo seus equipamentos e um repertório variado que passeava do rap ao reggae, passando pelo ragga e pelo afrobeat. Na pista de black music, cada batida energizava o público e mantinha a vibração do evento em alta, criando uma atmosfera de celebração e resistência. Com suas mixagens criativas, os DJs mostraram que a música é ponte entre gerações e estilos, reforçando a diversidade cultural que o Favela RAP se propôs a valorizar.


A presença das mulheres no Favela RAP foi um espetáculo à parte. A beleza e o empoderamento da mulher periférica estiveram bem representados, com coragem e orgulho ao assumirem sua negritude e exibirem seus cabelos Black Power como símbolos de resistência e identidade. O público celebrou esse momento com intensidade, reconhecendo que o evento não apenas promoveu arte e cultura, mas também deu o devido valor às mulheres que sustentam e fortalecem a cena afroperiférica em Maceió.

A economia criativa também teve seu espaço garantido no Favela RAP, fortalecendo artesãos e artistas que exibiram e venderam seus produtos feitos à mão. O evento se transformou em uma vitrine para talentos locais, especialmente jovens que acreditam em sua capacidade de criar e buscam reconhecimento dentro da comunidade. Essa oportunidade de mostrar e comercializar suas produções foi um dos pontos altos do encontro, revelando que o Favela RAP não é apenas um festival de música e arte, mas também um espaço de valorização e incentivo à criatividade periférica, abrindo caminhos para que novas vozes e mãos encontrem lugar na cena cultural de Maceió.


Negro Zica, idealizador do Favela RAP, é muito mais do que um MC. Ele também é poeta, produtor cultural e artista periférico que há anos luta pelo desenvolvimento cultural nas comunidades da parte alta de Maceió. Sua visão e dedicação foram fundamentais para que o evento se tornasse realidade, criando um espaço onde a periferia pôde se ver representada de forma autêntica e poderosa. Ao unir música, arte, dança e economia criativa, Negro Zica reafirma que a cultura é uma ferramenta de resistência e transformação, e que a periferia tem voz, talento e protagonismo.


O Favela RAP cumpriu seu papel com intensidade e propósito, trazendo oportunidade para artistas periféricos e presenteando a comunidade do Benedito Bentes com espetáculos culturais que refletem sua realidade e identidade. O evento deu o privilégio de aproximar o público de seus artistas, aqueles que os representam de forma verdadeira, abrindo portas tanto para quem deseja se apresentar quanto para quem deseja assistir e se reconhecer na arte. Foi um momento de valorização coletiva, onde a periferia pôde ver sua força traduzida em música, dança, artes visuais e criatividade, reafirmando que a cultura é um direito e uma ferramenta de transformação social

Aguardamos o próximo.



Confira mais fotos e vídeos  https://www.instagram.com/favelarapmcz/



segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Conheçam o Clube dos DJs AL.

 


 Uma equipe formada por veteranos das pistas, com estilos musicais dançantes que vão além do Hip-Hop: Techno, House, Break Beat, Soul e Funk dos anos 70, 80, 90 até os dias atuais.


O grupo nasceu de um encontro na Casa da Cultura Hip-Hop Alagoas, reunindo antigos tocadores de discos que marcaram presença nos movimentos de rua, como eram conhecidos os encontros dos pioneiros do Hip-Hop alagoano.

O objetivo do Clube dos DJs é apresentar boas músicas dançantes de várias épocas e vertentes mantendo viva a arte da discotecagem com discos de vinil, sem deixar de lado as novas tecnologias voltadas para os DJs. Com uma verdadeira parafernália de som e iluminação, o grupo transforma praças e outros espaços em pistas de dança, relembrando as boas discoltheques e danceterias, pontos de encontro da juventude entre os anos 70 e 90.


Se liga nas lendas desse clube

DJ Caique Santos é colecionador de vinil, especialista em Freestyle e amante da música eletrônica. Presente nas primeiras manifestações do Hip-Hop alagoano nos anos 90, foi DJ do grupo de RAP Planet DMC's em 1996, numa época em que o RAP começava a dar as caras na cena local, ainda em construção e resistência.

DJ ASB é especialista em Rap Nacional e Soul Funk, apaixonado pela cultura Hip-Hop desde o início dos anos 2000. É um dos principais construtores do movimento em Alagoas e fundador da CIA HIP-HOP AL, o terceiro coletivo do gênero a surgir no estado. A CIA foi responsável por um dos eventos mais marcantes da cena alagoana nos anos 2000: o Abril Pró Hip-Hop, que reuniu artistas, público e ideias em torno da cultura. DJ ASB também foi um dos primeiros produtores de Rap Alagoano, atuando junto ao grupo Família das Ruas.


DJ Coroa Emerson é outra lenda viva do Hip-Hop alagoano. Começou como dançarino de Breaking nos anos 80 e se tornou DJ nos anos 90. Frequentou as primeiras rodas de breaking na Praça Jornalista Denis Agra, considerado o primeiro berço do Hip-Hop em Alagoas. Foi DJ do grupo Aliança de Rua, um dos pioneiros do Rap no estado, e organizou treinos de breaking no Conjunto Eustáquio Gomes. É um dos DJs mais requisitados para tocar em campeonatos e cyphers de breaking em Alagoas, mantendo viva a essência da cultura de rua.

                                 

Paulo DJP é DJ, B-boy, grafiteiro e MC. Desde criança, nos anos 70, já era influenciado pela Soul Music, o que despertou seu gosto pela dança. Nos anos 80, foi contaminado pela febre chamada Breakdance e se engajou nas danças urbanas. Aos 20 anos, nos anos 90, descobriu as vertentes do Hip-Hop, que adotou como estilo de vida. Se aprofundou no elemento DJ, seguindo o exemplo de Afrika Bambaataa, e fundou o primeiro coletivo de Hip-Hop alagoano: a (P.A.P) Posse Atitude Periférica, tornando-se pioneiro na organização do movimento no estado. Hoje, é considerado mestre griô do Hip-Hop alagoano, atuando como produtor cultural, comunicador, oficineiro, educador social e historiador.


E assim o Clube dos DJs AL vem somar com a cultura Hip-Hop, levando exatamente para sua devida casa: as ruas. Ao mesmo tempo, representa outras vertentes musicais, relembrando momentos que só quem viveu conhece e sabe o quanto foi feliz nas baladas, onde a dança e o gosto por uma boa música eram a principal diversão de uma geração.

Click aqui para assistir o vídeo https://youtu.be/c6SsSXKHF7c

do encontro que deu origem ao Clube dos DJ's AL.