A Zeno.FM Station Posse Atitude Periférica: Favela RAP 9º edição 2026

PAP diz.

HIP-HOP SEM DROGAS, periferia sem vício, é periferia menos violênta.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Favela RAP 9º edição 2026

Graffiti Meny Weesy

No dia 01 de fevereiro de 2026, o Parque Linear do Benedito Bentes recebeu o Favela RAP, um evento que reuniu diversas vertentes do hip-hop e outras culturas afroperiféricas em uma celebração da identidade periférica afroalagoana. A comunidade pôde vivenciar apresentações de RAP que deram voz às realidades locais, intervenções de graffiti que coloriram os espaços públicos, DJs que criaram a trilha sonora da festa, oficinas de dança afrobeat que conectaram corpo e ancestralidade, além de shows de reggae que trouxeram boas vibrações e união. O encontro também contou com uma feira de utensílios artesanais e um brechó, fortalecendo a economia criativa e mostrando que a periferia é potência cultural.

Mais do que um festival, o Favela RAP foi uma afirmação de resistência e pertencimento, revelando que mesmo em uma região onde o investimento cultural é escasso, a parte alta de Maceió pulsa arte, diversidade e transformação social.

O rapper Saci fez um show marcante no Favela RAP, transitando com naturalidade entre o RAP e o TRAP, estilos já muito populares entre a nova geração. Sua apresentação trouxe diversão e energia para o público, mas também carregou um tom de denúncia e reivindicação, reforçando em suas letras a necessidade de autovalorização da periferia. Saci mostrou que a música pode ser ao mesmo tempo entretenimento e ferramenta de resistência, traduzindo em versos a força e a identidade da comunidade afroperiférica alagoana. 


O Favela RAP também abriu espaço para os veteranos do RAP alagoano, mostrando que a cena local é feita tanto pela nova geração quanto por aqueles que pavimentaram o caminho da cultura periférica. Entre eles esteve Mago Aplique, figura respeitada e referência na música rap em Alagoas, que trouxe ao palco sua experiência e força lírica. Sua presença reafirmou a importância da memória e da continuidade, conectando passado e presente em um mesmo movimento cultural.





A oficina de dança Afrobeat conduzida por Vini Santos foi um dos grandes momentos do Favela RAP. A energia corporal tomou conta do espaço e homens e mulheres se entregaram ao ritmo, deixando-se levar pela magia do afrobeat. O encontro transformou o Parque Linear em um palco de movimento e ancestralidade, onde cada passo reafirmava a força da cultura afroperiférica e a capacidade da arte de unir e libertar

DJ OBAMA



DJ LZU

DJ KILLI ROOTS

DJ WALISTON

Os DJs também tiveram papel fundamental no Favela RAP, trazendo seus equipamentos e um repertório variado que passeava do rap ao reggae, passando pelo ragga e pelo afrobeat. Na pista de black music, cada batida energizava o público e mantinha a vibração do evento em alta, criando uma atmosfera de celebração e resistência. Com suas mixagens criativas, os DJs mostraram que a música é ponte entre gerações e estilos, reforçando a diversidade cultural que o Favela RAP se propôs a valorizar.


A presença das mulheres no Favela RAP foi um espetáculo à parte. A beleza e o empoderamento da mulher periférica estiveram bem representados, com coragem e orgulho ao assumirem sua negritude e exibirem seus cabelos Black Power como símbolos de resistência e identidade. O público celebrou esse momento com intensidade, reconhecendo que o evento não apenas promoveu arte e cultura, mas também deu o devido valor às mulheres que sustentam e fortalecem a cena afroperiférica em Maceió.

A economia criativa também teve seu espaço garantido no Favela RAP, fortalecendo artesãos e artistas que exibiram e venderam seus produtos feitos à mão. O evento se transformou em uma vitrine para talentos locais, especialmente jovens que acreditam em sua capacidade de criar e buscam reconhecimento dentro da comunidade. Essa oportunidade de mostrar e comercializar suas produções foi um dos pontos altos do encontro, revelando que o Favela RAP não é apenas um festival de música e arte, mas também um espaço de valorização e incentivo à criatividade periférica, abrindo caminhos para que novas vozes e mãos encontrem lugar na cena cultural de Maceió.


Negro Zica, idealizador do Favela RAP, é muito mais do que um MC. Ele também é poeta, produtor cultural e artista periférico que há anos luta pelo desenvolvimento cultural nas comunidades da parte alta de Maceió. Sua visão e dedicação foram fundamentais para que o evento se tornasse realidade, criando um espaço onde a periferia pôde se ver representada de forma autêntica e poderosa. Ao unir música, arte, dança e economia criativa, Negro Zica reafirma que a cultura é uma ferramenta de resistência e transformação, e que a periferia tem voz, talento e protagonismo.


O Favela RAP cumpriu seu papel com intensidade e propósito, trazendo oportunidade para artistas periféricos e presenteando a comunidade do Benedito Bentes com espetáculos culturais que refletem sua realidade e identidade. O evento deu o privilégio de aproximar o público de seus artistas, aqueles que os representam de forma verdadeira, abrindo portas tanto para quem deseja se apresentar quanto para quem deseja assistir e se reconhecer na arte. Foi um momento de valorização coletiva, onde a periferia pôde ver sua força traduzida em música, dança, artes visuais e criatividade, reafirmando que a cultura é um direito e uma ferramenta de transformação social

Aguardamos o próximo.



Confira mais fotos e vídeos  https://www.instagram.com/favelarapmcz/



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